Qual a diferença entre SOLUCIONAR e RESOLVER?

Grande parte das demandas do nosso dia-a-dia está muito concentrada em RESOLVER ou SOLUCIONAR os problemas que vamos encontrando pelo caminho.
E os problemas podem ser de diferentes ordens (ou de diferentes óticas).
Podem ser dificuldades criadas por uma meta mal dimensionada (ou até mesmo dificuldades criadas por existir metas), podem ser problemas oriundos por processos mal definidos, podem ser problemas por um trabalho na aula ou uma prova (faltou tempo para estudar!!!) ou ainda podem ser problemas que na visão do chefe são maiores ou são menores, e ai os problemas podem ter uma dimensão que nem sempre conseguimos entender.
E o pior, às vezes não conseguimos agir, SOLUCIONAR ou RESOLVER o problema.
De acordo com o dicionário Aurélio, solucionar “tem a conotação de resolver” ou “dar solução a um problema”.
Quando olhamos no mesmo dicionário o significado de SOLUÇÃO, percebemos que trata-se de “uma resposta a uma questão”, “uma resolução a uma dificuldade”, “uma conclusão”. Sugere ainda um exemplo: “o desquite foi a solução de desentendimentos crônicos”.
Solução também tem uma importância na química, como “uma mistura líquida”, “ou um líquido que contém um corpo dissolvido”.
Ou ainda, na matemática, solução pode ser “sistema de valores das incógnitas, que satisfaz a uma equação ou a um conjunto de equações”.
Credo! SOLUÇÃO é complexo.
SOLUCIONAR um problema é uma coisa meio louca, meio química, meio matemática, conclusiva, e definitivamente complicada.
Pelo que entendi, a SOLUÇÃO do casamento é o divórcio…risos.
Ou então não entendi.
Já, a palavra RESOLVER me parece ser um pouco melhor, mesmo em alguns momentos parecendo meio mórbida.
Segundo o mesmo dicionário, RESOLVER significa “decompor um corpo em seus elementos constituintes. Fazer desaparecer pouco a pouco, por exemplo: resolver um tumor”.
“Achar a solução, decidir uma questão, solucionar: resolver um problema/equação (matemática) determinar os valores que, substituídos a incógnita, transforma a equação em identidade”.
“Transformar-se”.
Embora meio mórbida (decompor um corpo!??!! Resolver um tumor!!!??!!), achei RESOLVER mais simpático que SOLUCIONAR.
Até consegui ver as pessoas resolvendo problemas, afinal o conceito de resolver já traz uma maneira, um modo, para solucionar um problema.
Como diria o “esquartejador” (esse será o assunto de um próximo relax corporativo!!!), indo por partes, “decompondo um corpo (problema) no que se constitui”. Desta forma pode-se enxergar o problema em partes, e resolvê-lo variável por variável, parte por parte, fazendo-o desaparecer pouco a pouco, e até entendendo em qual parte, ou qual variável realmente reside o problema.
Uma vez trabalhei numa empresa que estava há mais de 5 meses tentando contratar um Gerente de Recursos Humanos.
Tentava via headhunters, site da empresa, indicações, anúncios de jornal e empresas de Recrutamento e Seleção, mas não conseguia resultado.
Eu, como um dos gestores, da empresa cheguei a indicar uma ou duas pessoas, mas não possuíam o perfil adequado.
E a coisa se arrastava, o tempo passava e a organização não conseguia resolver o problema. Ou seja, estava há quase meio ano sem Gerente na área de RH da organização.
Num belo dia, fomos informados que a pessoa foi contratada.
A vaga fora preenchida.
Festa geral!!!
Já tínhamos alguém em Recursos Humanos.
Marcaram uma reunião com todo o corpo de gestores para a apresentação da nova colega.
Todos compareceram motivados.
E se surpreenderam…
A contratada não possuía experiência nenhuma de gestão, não conhecia sistemas de remuneração e plano de carreira, mas tinha experiência no segmento de mercado, porém como Analista de treinamento.
Alguns meses depois, percebemos que o Presidente da empresa havia dado uma solução ao problema, e não resolvido o mesmo. Ao contratar a moça, sem experiência e sem condições de liderar o RH da organização, ele tinha dado fim ao problema.
Mas não havia resolvido o problema.
Havia concluído, mas ainda não havia resolvido. O presidente simplesmente havia dado uma conclusão ao problema.
O problema aumentou.
O Recursos Humanos da empresa naufragou.
Os colaboradores da área trocaram de empresa, e os demais colaboradores ficavam desmotivados e inconformados com as ações e atitudes da pessoa.
Que não era ruim, apenas não tinha preparo para liderar uma equipe grande e com várias necessidades. E o problema persistiu.
Ao tentar “dar fim” ao problema que existia, o presidente da empresa simplesmente ignorou que precisava transformar aquele problema numa solução. E, talvez com um pouco de química, poderia ter dado mais alegrias e realizações aquela equipe.
Entender qual o conhecimento técnico era necessário, que tipo de experiência seria importante e as competências que precisava, eram fatores fundamentais para resolver o problema.
Ao não analisar o problema “por partes”, ao deixar de “decompor o corpo do problema”, o presidente da empresa foi negligente na sua solução, na sua decisão de dar fim ao caso.
A reflexão que cabe é: quantas vezes optamos por SOLUCIONAR os problemas ao invés de RESOLVER os problemas?
Quantas vezes decidimos “dar um fim” ao problema ao invés de investigar o mesmo?
Quantas vezes olhamos um problema e SOLUCIONAMOS com uma ação específica e inadequada?
Embora SOLUÇÂO possa parecer mais complexo e difícil de entender, acredito que optamos mais por dar um fim, do que por resolver uma determinada situação. RESOLVER dá mais trabalho, mas também dá mais resultado.
RESOLVER está diretamente ligado a transformar.
Mexer com as variáveis e encontrar o resultado. Espremer o caso, “granularizar” a situação, para poder enxergar realmente onde está o problema.
Alguns utilizam a expressão: “transformar o limão em limonada”.
E RESOLVER é exatamente isso, transformar um problema em uma oportunidade.
Se nós somos medidos por resultados, precisamos urgente iniciar um processo de transformação e virarmos RESOLVEDORES DE PROBLEMAS.