Não é assim que a banda toca – Parte II – O retorno de Geraldo Vandré

Conforme já escrito anteriormente, a letra de “A Banda” de Chico Buarque de Hollanda começa assim:

“Estava à toa na vida, o meu amor me chamou,  prá ver a banda passar, cantando coisas de amor.

A minha gente sofrida, despediu-se da dor,Prá ver a banda passar, cantando coisas de amor”

Mas é apenas a letra que inicia a música.

Seu ritmo é alegre e a letra é um chamamento a apreciação de algo agradável.

No início, assim como um texto, há a obrigação de prender a atenção do ouvinte à letra e à melodia.

Importante nesse início é despertar interesse de quem ouve a canção. Ou de quem lê o texto.

Na vida corporativa também funciona assim.

Quando entramos numa empresa, nos sentimos alegres, vibrantes. Começamos motivados, felizes e sentimo-nos aderentes ao novo emprego. Com um novo desafio ou com um chefe novo a situação também se repete.

É importante mostrar trabalho, dar resultado e, além de ser competente, também passar a imagem de competente. Não basta a mulher de César ser honesta, ela precisa parecer honesta, já dizia um ditado antigo.

Porém como todo início, da música, da vida corporativa, dos produtos, existe o ciclo do aprendizado, da maturação, da saturação e o do declínio. A nossa capacidade empregatícia está justamente em aumentar cada vez mais o ciclo de encantamento (algo entre o aprendizado e a maturação), com a empresa que trabalhamos, e com os colegas que convivemos, sem falar no chefe que possuímos (ou que nos possui!!!! No bom sentido – de ficar possuído com ele).

Precisamos ser cada dia mais motivados. Precisamos treinar mais, pois como disse Tiger Woods: “quanto mais treino mais sorte tenho”. Precisamos entender melhor os processos e objetivos organizacionais, e acima de tudo, precisamos cantar a música e dançar conforme a melodia que organização definiu.

É importante acertamos o passo, mantermos o foco, buscarmos a orientação correta e seguirmos o rumo pré-definido, pois assim como a música, a organização também espera da gente um final de trabalho com resultado empolgante.

Numa entrevista recente para a VOCÊ S.A. (Edição 188) eu frisei “(…) é fundamental descobrir logo cedo o que realmente se espera de você (…). Isso dá noção de quem é quem na engrenagem da organização (…)”.

Se não desenvolvermos a inteligência corporativa adequada, corremos sérios riscos de ficarmos fora do projeto organizacional e dançarmos outra melodia.

Assim como as pessoas que oscilam em seus períodos cíclicos de motivação, de aderência e de envolvimento com a organização, “A Banda” de Chico Buarque de Hollanda, também tem um final desmotivador. Terminando desta forma:

Mas para meu desencanto, o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor.
Depois da banda passar, cantando coisas de amor.”

Podemos evitar esse final triste se tivermos o equilíbrio emocional necessário da organização, cultivando seus valores, sua cultura, e explorando ao máximo nossas competências organizacionais.

Deixar o desencanto (o que era doce acabou), a entropia (tudo voltou ao normal depois que a banda passou) e o egoísmo (e cada qual no seu canto) assumirem nossa rotina, significa abrir mão da carreira e da vida corporativa.

Lembrando 1968, e outro Festival da Nacional da Música Popular Brasileira, pode-se voltar a falar de Geraldo Vandré. Afinal sua música foi cantada e seguida por multidões de pessoas que queriam fazer um país diferente. Embora sem ganhar o festival, sua canção virou hino e símbolo de toda uma geração.

Gostaria de encerrar esse texto com um pedaço de uma música que lembra a necessidade do uso de Inteligência Corporativa.

Podemos reviver o espírito da canção “Pra Não Dizer Que Não Falei De Flores”, e guardar essa mensagem para termos uma vida longa, corporativamente falando.

“(…) quem sabe faz a hora, não espera acontecer (…)”